Segunda, quase terça começo a me preparar para cobrir o "TORDESILHAS: encontro ÍBERO Americano de poesia".
Providência número 1: Me DESPIR de qualquer coisa. Dos meus gostos, dos pormenores, dos vultos que "já nem mais existem".
Providência número 2: Colocar de lado essa literatura minha. Esquecer que de vez enquando, me arrisco a tentar fazer poesia. PAra cumprir minha função de repórter limpa, clara sem influências emocionais da "outra", a que se arrisca a escrever de vez em quando...
Providência número 3: Estudar, estudar e estudar. Tratar de "fazer de artistas que não conheço", parte da minha vida. Até o fim do evento, devo me apaixonar umas 1000 vezes!Por obras que nunca imaginei que existissem.
Providência número 4: Peparar a armadura! Para os eventuais "não achei se texto tão justo assim", que caso devam, surgirão!
Ah sim: Até segunda ordem, ou seja o fim da semana, "FAÇO"o Tordesilhas para
"WEBLIVROS"e PALAVRIANDO. Quem quiser conhecer:
http://www.weblivros.com.br/
http://www.palavriando.com.br/
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
OS HERÓIS DA RESISTÊNCIA
Os Heróis da resistência,
por Gabriela CuzzuolGabriela Cuzzuol (*)
Ela era matemática bacharel. Fez aquela faculdade difícil, pela qual ninguém passa sem sofrer.
Cálculos, estatísticas, experimentos de docentes que vivem para comprovar algo. E este algo nem sempre interessa assim, tanto.
Na época da faculdade, secou, era comum que a víssemos abatida, o cansaço a saltar-lhe os olhos.
Aí passou. A formatura, paga em várias vezes, a realização da mãe, a admiração da família do namorado.
E veio o aumento. Agora seriam novecentos reais .E ainda havia o vale transporte. Refeição
não, afinal em cada escola o turno era apenas de seis horas. Na hora de preencher o cadastro,
não colocou que eram três as escolas. Pra que? Não dariam mesmo o vale-transporte. Isso é
responsabilidade de cada instituição. Talvez cada uma pudesse entrar com trinta por cento dos
vales, ou dez por mês. Nem pensou sobre o assunto, já sabia como funcionava. Trabalhava no
ensino público desde o tempo de estudante.
Nunca reclamou. Nunca deu um suspiro. Continuou a tomar dois ônibus pra ir, dois pra voltar, em três turnos.
Fez pós-graduação em economia. Agora já poderia enviar currículos aos bancos. Teve vontade,
passar com novecentos contos estava cada vez mais duro. Se inscreveu.
Foi morar com o namorado, já que a grana não dava pra casar. No momento, não era assim tão
importante. Agora era aluguel, água, luz, mas enfim havia o vale-refeição, que ajudava. Depois
da pós, passou a ganhar mil e cento e quarenta e três reais e setenta e dois centavos, com os
descontos. Ao todo, lhe sobravam mil. Até que no contexto, deu uma ajuda.
Além de matemática, bacharel e pós-graduada, era uma bela moça. De grandes olhos azuis e
rosto de quem decididamente não vivia com novecentos reais. A aparência contribuiria para a
vaga no banco, afinal bancos costumam pedir boa aparência.
Saiu o edital. Ela se inscreveu, fez os testes, passou. O namorado ficou feliz, jantaram
juntos, ele a convidou para ir a um restaurante caro. O primeiro degrau de uma escada, que
enfim começavam a subir; o começo da vida melhor que eles tanto mereciam.
No dia de se despedir de seus alunos, falhou. Pela primeira, constatou que a sala de
aula era sua única possibilidade de realização. Ali transformava o mundo em um lugar
infinitamente melhor. E para ela, aquilo bastava.
“Um país que desrespeita seus professores nunca saberá o país que é.”
(*) Jornalista, professora de literatura e pós-graduanda em Jornalismo Cultural pela PUC-SP.
por Gabriela CuzzuolGabriela Cuzzuol (*)
Ela era matemática bacharel. Fez aquela faculdade difícil, pela qual ninguém passa sem sofrer.
Cálculos, estatísticas, experimentos de docentes que vivem para comprovar algo. E este algo nem sempre interessa assim, tanto.
Na época da faculdade, secou, era comum que a víssemos abatida, o cansaço a saltar-lhe os olhos.
Aí passou. A formatura, paga em várias vezes, a realização da mãe, a admiração da família do namorado.
E veio o aumento. Agora seriam novecentos reais .E ainda havia o vale transporte. Refeição
não, afinal em cada escola o turno era apenas de seis horas. Na hora de preencher o cadastro,
não colocou que eram três as escolas. Pra que? Não dariam mesmo o vale-transporte. Isso é
responsabilidade de cada instituição. Talvez cada uma pudesse entrar com trinta por cento dos
vales, ou dez por mês. Nem pensou sobre o assunto, já sabia como funcionava. Trabalhava no
ensino público desde o tempo de estudante.
Nunca reclamou. Nunca deu um suspiro. Continuou a tomar dois ônibus pra ir, dois pra voltar, em três turnos.
Fez pós-graduação em economia. Agora já poderia enviar currículos aos bancos. Teve vontade,
passar com novecentos contos estava cada vez mais duro. Se inscreveu.
Foi morar com o namorado, já que a grana não dava pra casar. No momento, não era assim tão
importante. Agora era aluguel, água, luz, mas enfim havia o vale-refeição, que ajudava. Depois
da pós, passou a ganhar mil e cento e quarenta e três reais e setenta e dois centavos, com os
descontos. Ao todo, lhe sobravam mil. Até que no contexto, deu uma ajuda.
Além de matemática, bacharel e pós-graduada, era uma bela moça. De grandes olhos azuis e
rosto de quem decididamente não vivia com novecentos reais. A aparência contribuiria para a
vaga no banco, afinal bancos costumam pedir boa aparência.
Saiu o edital. Ela se inscreveu, fez os testes, passou. O namorado ficou feliz, jantaram
juntos, ele a convidou para ir a um restaurante caro. O primeiro degrau de uma escada, que
enfim começavam a subir; o começo da vida melhor que eles tanto mereciam.
No dia de se despedir de seus alunos, falhou. Pela primeira, constatou que a sala de
aula era sua única possibilidade de realização. Ali transformava o mundo em um lugar
infinitamente melhor. E para ela, aquilo bastava.
“Um país que desrespeita seus professores nunca saberá o país que é.”
(*) Jornalista, professora de literatura e pós-graduanda em Jornalismo Cultural pela PUC-SP.
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
CRÔNICA
O dia em que o samba foi à Paulista.
por: Gabriela CuzzuolGabriela Cuzzuol (*)
“Hoje o Samba saiu procurando você. À luz deste sol lindo eu acordei e fui dar uma voltinha pela Paulista. Não havia você, como nesse tempo tem havido tampouco.
Cadê você, hein?
Você, ídolo da mendicância, colega da “bebadada”, populista da reportagem.
Nessa falta sua, que não passa, informo que sua rua continua: linda, longa, musical, “tretada” como ela só. As pessoas ainda pedem, suplicam, vendem, rogam. A infelicidade é a mesma que há eras; assim como a voltagem, alta! Como diz você: existe uma energia que começa no Paraíso e só se dissipa na Consolação. Claro, porque a Ipiranga, também “meio que era”, não é? Embora ainda haja o Terraço Itália, e o Sapore Di Rose ande fazendo Sarau.
Sarau tá na moda, sabia? Sim, sim. Tá bom, na verdade nem tanto. Mas já é um começo, e os nossos, “meu e deles” chegam a juntar 100. Uma vitória para o que não aparece na Globo. Mas, um dia, querido, vai aparecer, pode estar certo. E aí, vai encher de gente! Coisa linda é esse negócio de arte + gente. Gente de verdade, com cara de gente e gostos também de gente. Não os meus amigos que estudaram em Paris, porque estes fracassaram nas duas tentativas: na de vender livros e de mudar o mundo.
Falo da gente que nem livro sabe direito o que é. Daquela mesma que acorda às quatro da manhã e, no final, é menos coitada que a gente. Aquela que sorri com 300 contos e passa o ano todo preparando a fantasia que eu uso em fevereiro. Mas será que livro muda alguma coisa? E será que esse negócio de mudar é mesmo “pra gente?”
Você dizia que sim. Sempre achou. Pegava o gravador e ia pra rua se indispor. Conhecer essa tal vida que não se percebe na faculdade. Ou no paliativo, como você falava, porque quem é bom já nasce. E esse negócio de escrever vem no pacote, ou você sabe ou não. Técnica ajuda, faz ganhar salário, mascarar o sentimento, embeleza o produto final. Mas, aquele negócio que fez o Graciliano analfabeto aprender várias línguas antes dos 12, está no espírito.
Escritor nenhum se formou em curso. Nunca, nem quem tentou, nem quem quis profundamente. Assim como seus passos marcam a cadência do meu samba, sua falta força minha escrita. Como carros compassam a desvairada que você chamou paulicéia, me lanço à responsabilidade da profissão-cruz, a qual você denominou missão.
E há tão poucos iguais a nós... Há ínfimos como a você...
Eles estão sempre calculando os custos! Sim, os que giram por sua rua não param de fazer cálculos. Os outros, mostram o que pagam na sombra dos olhos, nas olheiras fundas e escuras. Olheiras são incuráveis, me disse uma vez a médica. Irreparáveis, insistia você. Impossível se deparar com aquele tipo de olheira sem pensar em custos. Os nossos são altos, mas há outros ainda mais.
E hoje, quando concluí que em ala nenhuma “há caboclo com alma mais bonita”, parei para observar aquele universo paralelo em que se transformou a rua sua. E a constatação foi que quem não a conhece, precisa mesmo vim ver para crer.
(*) Gabriela Cuzzuol é jornalista, professora de literatura e pós-graduanda em Jornalismo Cultural pela PUC-SP.
por: Gabriela CuzzuolGabriela Cuzzuol (*)
“Hoje o Samba saiu procurando você. À luz deste sol lindo eu acordei e fui dar uma voltinha pela Paulista. Não havia você, como nesse tempo tem havido tampouco.
Cadê você, hein?
Você, ídolo da mendicância, colega da “bebadada”, populista da reportagem.
Nessa falta sua, que não passa, informo que sua rua continua: linda, longa, musical, “tretada” como ela só. As pessoas ainda pedem, suplicam, vendem, rogam. A infelicidade é a mesma que há eras; assim como a voltagem, alta! Como diz você: existe uma energia que começa no Paraíso e só se dissipa na Consolação. Claro, porque a Ipiranga, também “meio que era”, não é? Embora ainda haja o Terraço Itália, e o Sapore Di Rose ande fazendo Sarau.
Sarau tá na moda, sabia? Sim, sim. Tá bom, na verdade nem tanto. Mas já é um começo, e os nossos, “meu e deles” chegam a juntar 100. Uma vitória para o que não aparece na Globo. Mas, um dia, querido, vai aparecer, pode estar certo. E aí, vai encher de gente! Coisa linda é esse negócio de arte + gente. Gente de verdade, com cara de gente e gostos também de gente. Não os meus amigos que estudaram em Paris, porque estes fracassaram nas duas tentativas: na de vender livros e de mudar o mundo.
Falo da gente que nem livro sabe direito o que é. Daquela mesma que acorda às quatro da manhã e, no final, é menos coitada que a gente. Aquela que sorri com 300 contos e passa o ano todo preparando a fantasia que eu uso em fevereiro. Mas será que livro muda alguma coisa? E será que esse negócio de mudar é mesmo “pra gente?”
Você dizia que sim. Sempre achou. Pegava o gravador e ia pra rua se indispor. Conhecer essa tal vida que não se percebe na faculdade. Ou no paliativo, como você falava, porque quem é bom já nasce. E esse negócio de escrever vem no pacote, ou você sabe ou não. Técnica ajuda, faz ganhar salário, mascarar o sentimento, embeleza o produto final. Mas, aquele negócio que fez o Graciliano analfabeto aprender várias línguas antes dos 12, está no espírito.
Escritor nenhum se formou em curso. Nunca, nem quem tentou, nem quem quis profundamente. Assim como seus passos marcam a cadência do meu samba, sua falta força minha escrita. Como carros compassam a desvairada que você chamou paulicéia, me lanço à responsabilidade da profissão-cruz, a qual você denominou missão.
E há tão poucos iguais a nós... Há ínfimos como a você...
Eles estão sempre calculando os custos! Sim, os que giram por sua rua não param de fazer cálculos. Os outros, mostram o que pagam na sombra dos olhos, nas olheiras fundas e escuras. Olheiras são incuráveis, me disse uma vez a médica. Irreparáveis, insistia você. Impossível se deparar com aquele tipo de olheira sem pensar em custos. Os nossos são altos, mas há outros ainda mais.
E hoje, quando concluí que em ala nenhuma “há caboclo com alma mais bonita”, parei para observar aquele universo paralelo em que se transformou a rua sua. E a constatação foi que quem não a conhece, precisa mesmo vim ver para crer.
(*) Gabriela Cuzzuol é jornalista, professora de literatura e pós-graduanda em Jornalismo Cultural pela PUC-SP.
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
QUE FAÇAS
QUE FAÇAS.
Para: Carlos Savasini (que escreve poesia com os pulsos)
POR: GABRIELA CUZZUOL EM 29 DE SETEMBRO DE 2007.
Desejo;
Que faças poesia de alma;
Com asas;
Por nada;
Espero;
Que brades poesia
O quanto;
Enquanto;
Portanto;
Almejo;
Que grites poesia;
Em pranto;
No antro;
Do canto;
Respeito;
Que entoes poesia;
Do jeito;
No peito;
Direito.
Para: Carlos Savasini (que escreve poesia com os pulsos)
POR: GABRIELA CUZZUOL EM 29 DE SETEMBRO DE 2007.
Desejo;
Que faças poesia de alma;
Com asas;
Por nada;
Espero;
Que brades poesia
O quanto;
Enquanto;
Portanto;
Almejo;
Que grites poesia;
Em pranto;
No antro;
Do canto;
Respeito;
Que entoes poesia;
Do jeito;
No peito;
Direito.
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